Domingo 20/01/2019

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A família deve transmitir a fé

-- V Encontro Mundial das Famílias em Valência --

"A família cristã transmite a fé quando os pais ensinam seus filhos a rezar e rezam com eles; quando os fazem aproximar-se dos sacramentos e os vão introduzindo na vida da Igreja."

Os testemunhos de Ester e de Paulo, que escutamos nas duas leituras, mostram como a família é chamada a colaborar na transmissão da fé.

Ester confessa: "Meu pai contou-me, Senhor, que vós escolhestes Israel entre as nações" (14,5). Paulo segue a tradição de seus antepassados judeus, prestando culto a Deus com consciência pura. Louva a fé sincera de Timóteo e recorda-lhe "essa fé que tiveram tua avó Lóide e tua mãe Eunice, e que, não tenho a menor dúvida, habita em ti também" (2Tm 1,5). Nestes dois testemunhos bíblicos a família abrange não somente os pais e filhos, mas também os avós e antepassados. Ela se apresenta-nos como uma comunidade de gerações e garantia de um patrimônio de tradições. (...)

Como a família transmite a fé

O pai de Ester lhe transmitira, com a memória de seus antepassados e de seu povo, a de um Deus do qual todos procedem e ao qual todos estão chamados a responder. A memória de Deus Pai que escolheu seu povo e que atua na História para nossa salvação. A memória deste Pai ilumina a identidade mais profunda dos homens: de onde viemos, quem somos e como é grande nossa dignidade.

Viemos certamente de nossos pais e deles somos filhos, mas viemos também de Deus que nos criou à sua imagem e nos chamou a ser filhos seus. Por isso, na origem de todo ser humano não existe sorte nem casualidade, mas sim um projeto do amor de Deus. Isso nos revelou Jesus Cristo, verdadeiro Filho de Deus e homem perfeito. Ele sabia de quem vinha e de quem viemos todos: do amor de seu Pai e nosso Pai.

A fé não é, portanto, uma mera herança cultural, mas uma ação contínua da graça de Deus que chama e da liberdade humana que pode aceitar ou não esse chamado. Mesmo se ninguém responda por outro, os pais cristãos, sem dúvida, estão chamados a dar um testemunho crível de sua fé e esperança cristã. Devem esforçar-se para que o chamado de Deus e a boa nova de Cristo cheguem a seus filhos com a maior clareza e autenticidade.

No correr dos anos, esse dom de Deus que os pais contribuíram para pôr ante os olhos das crianças necessitará também ser cultivado com sabedoria e doçura, fazendo crescer nelas a capacidade de discernimento.

Dessa maneira, com o testemunho constante do amor conjugal dos pais, vivido e impregnado de fé, e com o entranhado acompanhamento da comunidade cristã, se favorecerá que os filhos façam seu o dom da fé, descubram com ela o sentido profundo da própria existência e sintam-se felizes e agradecidos por isso.

A família cristã transmite a fé quando os pais ensinam seus filhos a rezar e rezam com eles (cf. Familiaris consortio, 60); quando os fazem aproximar-se dos sacramentos e os vão introduzindo na vida da Igreja; quando todos se reúnem para ler a Bíblia, iluminando a vida familiar à luz da fé e louvando a Deus como nosso Pai. (...)

O casamento indissolúvel, um dos maiores serviços ao bem comum

A alegria amorosa com a qual nossos pais nos acolheram e acompanharam nos primeiros passos neste mundo é como um sinal e prolongamento sacramental do amor benevolente de Deus, do qual procedemos. A experiência de sermos acolhidos e amados por Deus e por nossos pais é a base firme que favorece sempre o crescimento e o autêntico desenvolvimento do homem, que tanto nos ajuda a maturar no caminho rumo à verdade e ao amor, e a sair de nós mesmos para entrar em comunhão com os outros e com Deus.

Para progredir nesse caminho de maturidade humana, a Igreja nos ensina a respeitar e promover a maravilhosa realidade do casamento indissolúvel entre um homem e uma mulher, o qual é, ademais, a origem da família. Por isso, reconhecer e ajudar esta instituição é um dos maiores serviços que se pode prestar hoje ao bem comum e ao verdadeiro desenvolvimento dos homens e das sociedades, bem como a melhor garantia para assegurar a dignidade, a igualdade e a verdadeira liberdade da pessoa humana. (...)

Mensagem de esperança

A família cristã - pai, mãe e filhos - está, pois, chamada a cumprir os objetivos assinalados não como algo imposto de fora, mas como um dom da graça do sacramento do Matrimônio infundida nos esposos. Se estes permanecem abertos ao Espírito e pedem sua ajuda, Ele não deixará de lhes comunicar o amor de Deus Pai manifestado e encarnado em Cristo. A presença do Espírito ajudará os esposos a não perderem de vista a fonte e medida de seu amor e entrega, e a colaborarem com ele para revelá-lo e encarná-lo em todas as dimensões de sua vida. Deste modo, o Espírito suscitará neles o anelo do encontro definitivo com Cristo na casa de seu Pai e nosso Pai.

É esta a mensagem de esperança que, de Valência, quero enviar a todas as famílias do mundo.

Papa Bento XVI, Excertos da homilia em Valência, no dia 9 de julho de 2006.

 

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