Quinta-feira 21/03/2019

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A família, fundamento da sociedade

-- V Encontro Mundial das Famílias em Valência --

O convívio familiar comporta uma vocação à santidade, é um bem insubstituível para os filhos, meio eficaz de transmitir a fé, fonte de verdadeira alegria e escola de formação de pessoas livres e responsáveis.

A família é uma instituição intermediária entre o indivíduo e a sociedade, e nada pode substituí-la totalmente. Ela própria apóia-se sobretudo em uma profunda relação interpessoal entre o esposo e a esposa, sustentada pelo afeto e mútua compreensão. Recebe para isso a abundante ajuda de Deus no sacramento do Matrimônio, que comporta uma verdadeira vocação à santidade. Oxalá os filhos contemplem mais os momentos de harmonia e afeto dos pais do que os de discórdia ou afastamento, pois o amor entre pai e mãe proporciona uma grande segurança aos filhos e lhes ensina a beleza do amor fiel e duradouro.

Proclamar a verdade sobre a família e oferecer-lhe apoio

A família é um bem necessário para os povos, um fundamento indispensável para a sociedade e um grande tesouro dos esposos durante sua vida inteira. É um bem insubstituível para os filhos, que devem ser fruto do amor, da total e generosa doação dos pais. Proclamar a verdade integral sobre a família, baseada no Matrimônio como Igreja doméstica e santuário da vida, é uma grande responsabilidade de todos. (...)

Os desafios da sociedade atual - marcada pela dispersão que se verifica sobretudo no setor urbano - tornam necessária a garantia de que as famílias não estejam sós. Um pequeno núcleo familiar pode encontrar obstáculos difíceis de superar se estiver isolado do restante de seus parentes e amigos. Por isso, a comunidade eclesial tem a obrigação de oferecer acompanhamento, estímulo e alimento espiritual que fortaleçam a coesão familiar, principalmente nas provações ou momentos críticos. Nesse sentido é muito importante o trabalho das paróquias, como também o das diversas associações eclesiais, chamadas a colaborar como redes de apoio e como a mão estendida da Igreja, para o crescimento da família na fé.

Cristo revelou qual é sempre a fonte suprema da vida para todos e, portanto, também para a família: "Este é meu Mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos" (Jô 15,12-13). O amor do próprio Deus derramou-se sobre nós no Batismo. Assim, as famílias estão chamadas a viver essa qualidade de amor, pois o Senhor é quem garante que isso é possível para nós através do amor humano sensível, afetuoso e misericordioso como o de Cristo.

Formar pessoas livres e responsáveis, outra importante tarefa da família

Junto com a transmissão da fé e do amor do Senhor, uma das maiores tarefas da família é a de formar pessoas livres e responsáveis. Por isso os pais devem ir devolvendo a seus filhos a liberdade, da qual são tutores durante certo tempo. Se estes vêem que seus pais - e, em geral, os adultos que os rodeiam - vivem a vida com alegria e entusiasmo, inclusive nas dificuldades, mais facilmente crescerá neles aquela profunda satisfação de viver que os ajudará a superar com acerto os eventuais obstáculos e aborrecimentos decorrentes da vida humana. Além disso, quando a família não se fecha em si mesma, os filhos vão aprendendo que toda pessoa é digna de ser amada e que há uma fraternidade fundamental universal entre todos os seres humanos.

A transmissão da fé na família

Este 5º Encontro convida-nos a refletir sobre um tema de particular importância e que comporta uma grande responsabilidade para nós: "A transmissão da fé na família". Exprime-o muito bem o Catecismo da Igreja Católica: "Como uma mãe que ensina seus filhos a falar, e assim a compreender e a comunicar-se, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem da fé para introduzir-nos na inteligência e na vida da fé" (n. 171).

Como está simbolizado na liturgia do Batismo, pela entrega do círio aceso, os pais são associados ao mistério da nova vida como filhos de Deus, vida que se recebe com as águas batismais.

Transmitir a fé a seus filhos, com ajuda de outras pessoas e instituições como a paróquia, é uma responsabilidade que os pais não podem esquecer, negligenciar ou delegar inteiramente. "A família cristã é chamada Igreja doméstica porque manifesta e realiza a natureza de comunhão e familiar da Igreja como família de Deus. Cada membro, segundo o próprio papel, exerce o sacerdócio batismal, contribuindo para fazer da família uma comunidade de graça e de oração, escola das virtudes humanas e cristãs, lugar do primeiro anúncio da fé aos filhos" (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 350). E ainda: "Os pais, participantes da paternidade divina, são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos e os primeiros anunciadores da fé a eles. Têm o dever de amar e respeitar os filhos como pessoas e como filhos de Deus (...) Em particular, têm a missão de os educar na fé cristã" (ib., 460).

Aprende-se a linguagem da fé nos lares onde essa fé cresce e se fortalece por meio da oração e da prática cristã. Vimos na leitura do Deuteronômio a oração repetida constantemente pelo povo eleito, a "Shema Israel", a qual Jesus escutaria e repetiria em seu lar de Nazaré. Ele próprio a recordaria durante sua vida pública, como nos refere o Evangelho de Marcos (cf. 12,29). Esta é a fé da Igreja que vem do amor de Deus, por intermédio de vossas famílias. Viver a integridade dessa fé, em sua maravilhosa novidade, é uma grande dádiva. Nos momentos, porém, em que o rosto de Deus se oculta, crer é difícil e custa um grande esforço.

Este Encontro dá novo alento para continuar anunciando o Evangelho da família, reafirmar sua vigência e identidade baseada no casamento aberto ao dom generoso da vida, e no qual se acompanha os filhos em seu crescimento corporal e espiritual. Desse modo se contra-arresta um hedonismo muito difundido, que banaliza as relações humanas e as esvazia de seu genuíno valor e beleza.

Promover os valores do matrimônio não impede de desfrutar plenamente a felicidade que o homem e a mulher encontram em seu mútuo amor. Assim, a fé e a ética cristã não pretendem sufocar o amor, mas torná- lo mais sadio, forte e realmente livre. Para tanto, o amor humano precisa ser purificado e amadurecer para ser plenamente humano e princípio de uma alegria verdadeira e duradoura.

Os filhos têm o direito de serem educados na fé

Convido, portanto, os governantes e legisladores a refletirem sobre o bem evidente que os lares em paz e harmonia asseguram ao homem, à família, centro nevrálgico da sociedade, como recorda a Santa Sé na Carta dos Direitos da Família. A finalidade das leis é o bem integral do homem, a resposta a suas necessidades e aspirações. Isso é uma notável ajuda para a sociedade, da qual não se pode privar, e uma salvaguarda e uma purificação para os povos. Além disso, a família é uma escola de humanização do homem, para que ele cresça até tornar-se verdadeiramente homem. Neste sentido, a experiência de serem amados pelos pais leva os filhos a tomar consciência de sua dignidade de filhos.

A criatura concebida deve ser educada na fé, amada e protegida. Com o direito fundamental de nascer e de serem educados na fé, os filhos têm direito a um lar que tome como modelo o de Nazaré e a serem preservados de todo tipo de insídias e ameaças. (...)

Desejo referir-me agora aos avós, tão importantes nas famílias. Eles podem ser - e o são tantas vezes - garantia do afeto e da ternura que todo ser humano necessita dar e receber. Eles dão aos mais jovens a perspectiva do tempo, são memória e riqueza das famílias. Oxalá não sejam eles, sob pretexto algum, excluídos do círculo familiar. Os avós são um tesouro que não podemos arrebatar das novas gerações, sobretudo quando dão testemunho de fé na proximidade da morte.

Papa Bento XVI, Excertos do discurso em Valência, em 8 de julho de 2006.

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