O SANTO NOME DE MARIA, TESOURO DO AMOR DE DEUS

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O SANTO NOME DE MARIA, TESOURO DO AMOR DE DEUS

Maria é um tesouro que, conforme a opinião comum dos Santos Doutores, contém em si tudo quanto há de mais rico, mais belo, mais extraordinário, mais precioso e mais desejável, no Céu e na Terra, no tempo e na eternidade, na natureza, na graça, na glória e em todas as puras criaturas; e este tesouro, escondido desde sempre no amor e no Coração do Pai celestial e revelado por Ele aos homens apenas um pouco na plenitude dos tempos, é ainda agora e será eternamente mantido em segredo nesse mesmo Coração, muito mais oculto do que manifestado. 

Pois, sendo Mãe de Deus o significado de Maria – segundo a interpretação de Santo Ambrósio –, encontram-se tantas riquezas e tamanhas maravilhas nesse imenso tesouro da Maternidade Divina, que tudo quanto os espíritos humanos e angélicos dele conhecem pouco é em comparação com o que ignoram. 

Não ouvis, porventura, Santo Agostinho exclamar que não existe coração capaz de concebê-las, nem língua capaz de exprimi-las? E Santo André de Creta, a dizer-nos que, a não ser Deus, não há quem possa louvar dignamente os milagres n’Ela operados por Ele próprio? Escutai São Bernardino de Sena, o qual nos anuncia que “da mesma forma como as perfeições da divindade são incompreensíveis a qualquer entendimento, assim as excelências e as graças que acompanham essa Divina Maternidade são tão eminentes que somente o espírito de Deus, e do Homem- -Deus, e da Mãe de Deus, as pode compreender; e que, para predispô-La a esta alta dignidade, foi necessário elevá-La, por assim dizer, a uma certa igualdade com Deus, por uma certa infinitude de graças e de perfeições.” 

Não é isto mesmo o que nos quer dar a entender Santo André de Creta, quando diz que “esta Virgem admirável é uma declaração, ou seja, uma expressão e uma imagem dos mistérios escondidos da divina Incompreensibilidade ?” Não é também o que quer dizer São Tomás ao nos declarar que é “uma imagem infinita da divina Bondade”, ou seja, que representa infinitamente bem, com infinita perfeição, a imensa grandeza da divina Bondade? 

Não é, ainda, o que São Pedro Crisólogo pretende dar-nos a conhecer, quando diz que “a grandeza de Maria é de algum modo a medida da grandeza da imensidade de Deus, e que quem não conhece bem aquela não pode conhecer esta?” E pode-se com certeza dizer que a Maternidade Divina é a justa medida da onipotência divina, pois muito verdadeiro é que Deus – o qual bem pode fazer um mundo maior que este, um céu mais vasto, um Sol mais brilhante – não pode fazer uma mãe mais digna e mais nobre que a Mãe de um Deus. Vedes, assim, como nossa divina Maria é um tesouro oculto no espírito e no Coração do Eterno Pai, pois somente Ele conhece seu preço e seu valor. Eis a primeira maneira pela qual a preciosíssima Virgem é o tesouro do amor do Pai Eterno. 

Excertos da obra L’enfance admirable de la Très Sainte Mère de Dieu. Paris: René Guignard, 1676